Calculadora de Dimensionamento de Cabos

Preencha os dados abaixo para dimensionar o circuito conforme a NBR 5410.

Sistema Elétrico

Seção mínima da Tabela 47: 2,5 mm² (força) ou 1,5 mm² (iluminação).

4% vale para o circuito terminal (6.2.7.2). 5% e 7% são o total desde a origem, alimentadores mais terminal (6.2.7.1): use só se este trecho for o caminho todo.

Instalação e Ambiente

No método D (enterrado), informe a temperatura do solo.

Fator da Tabela 42 para cabos em feixe. Camada única não é considerada (lado seguro).

Dados da Carga

Se preenchido, ignora a potência.

Nenhum cálculo realizado

Preencha os dados no formulário e clique em "Dimensionar Cabo".

Aviso Legal: Pré-dimensionamento de circuitos de cobre até 50 mm², não substitui projeto com ART. A queda de tensão usa a resistência do condutor a 70 °C (PVC) ou 90 °C (XLPE) e ignora a reatância. Não verifica curto-circuito, proteção contra choques nem harmônicas.

Dimensionamento de cabos elétricos: como a NBR 5410 determina a seção mínima?

O dimensionamento correto da seção nominal dos condutores é uma das etapas mais críticas de qualquer projeto de instalação elétrica de baixa tensão. Um cabo subdimensionado pode causar superaquecimento, incêndio e perda de patrimônio. Já um cabo superdimensionado representa desperdício de material e custo desnecessário.

Pela NBR 5410:2004, a seção dos condutores de fase precisa atender ao mesmo tempo a vários critérios. Esta ferramenta verifica quatro:

  1. Seção mínima (item 6.2.6.1.1, Tabela 47) — em cobre, 1,5 mm² para circuitos de iluminação e 2,5 mm² para circuitos de força (tomadas e tomadas de uso específico).
  2. Capacidade de condução de corrente (item 6.2.5, critério térmico) — o cabo deve suportar a corrente de projeto sem ultrapassar sua temperatura máxima de operação.
  3. Queda de tensão (item 6.2.7) — no máximo 4% no circuito terminal (6.2.7.2). Os limites de 5% (a partir do ponto de entrega em baixa tensão) e 7% (a partir do transformador ou do gerador) valem para o total desde a origem da instalação até o ponto de utilização, somando alimentadores e circuito terminal (6.2.7.1); não são um limite do alimentador sozinho.
  4. Proteção contra sobrecarga (item 5.3.4.1) — a coordenação entre a capacidade do cabo (Iz) e o disjuntor deve garantir Ib ≤ In ≤ Iz e I2 ≤ 1,45 × Iz.

A seção adotada será sempre a maior dentre as obtidas pelos critérios. A norma ainda exige verificar a proteção contra curto-circuito e contra choques elétricos, que esta ferramenta não calcula.

Como a ferramenta calcula a corrente de projeto (Ib)

A corrente de projeto é determinada a partir da potência da carga:

Monofásico/Bifásico:

  • Se potência em kW: Ib = (P × 1000) / (V × FP)
  • Se potência em kVA: Ib = (S × 1000) / V

Trifásico:

  • Se potência em kW: Ib = (P × 1000) / (√3 × V × FP)
  • Se potência em kVA: Ib = (S × 1000) / (√3 × V)

Você também pode informar a corrente diretamente (Ib manual), que sobrepõe o cálculo automático.

Métodos de instalação (Tabelas 33 a 39)

A capacidade de condução de corrente de um cabo depende de como ele está instalado. A NBR 5410 define os seguintes métodos de referência:

Método Descrição Exemplo
A1 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto embutido em parede termicamente isolante Parede com isolamento térmico
A2 Cabo multipolar em eletroduto embutido em parede termicamente isolante Similar ao A1, com cabo multipolar
B1 Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto aparente sobre parede ou embutido em alvenaria Eletroduto embutido na alvenaria (caso residencial típico)
B2 Cabo multipolar em eletroduto aparente sobre parede ou embutido em alvenaria Idem, com cabo multipolar
C Cabos unipolares ou cabo multipolar diretamente sobre a parede (ou em bandeja não perfurada) Cabo com cobertura fixado na parede
D Cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto enterrado ou diretamente enterrados Instalação subterrânea

O método B1 é o mais comum em instalações prediais. No método C vão cabos (com cobertura), não condutores isolados: condutor só com isolação (o fio ou cabo flexível comum de 750 V) não pode ser fixado direto na parede, precisa de eletroduto, eletrocalha ou similar. O método D aplica-se a instalações enterradas (iluminação externa, por exemplo).

Fatores de correção

A capacidade de condução nominal (da tabela) deve ser corrigida por dois fatores:

Fator de temperatura (Tabela 40): Se a temperatura ambiente for diferente de 30°C (referência das linhas não subterrâneas), a capacidade é ajustada. Por exemplo, a 40°C com PVC o fator é 0,87 — ou seja, o cabo perde 13% de capacidade. Temperaturas entre duas linhas da tabela usam a linha mais quente (32°C usa 35°C), o que fica do lado seguro. A norma não traz fator para PVC acima de 60°C.

Temperatura (°C) PVC (70°C) XLPE (90°C)
20 1,12 1,08
25 1,06 1,04
30 1,00 1,00
35 0,94 0,96
40 0,87 0,91
45 0,79 0,87
50 0,71 0,82

No método D (enterrado), a referência é a temperatura do solo, 20°C, e vale a coluna "do solo" da Tabela 40 (PVC a 30°C: 0,89). A ferramenta trata a temperatura informada como a do solo nesse método; usar a temperatura do ar, normalmente mais alta, fica do lado seguro.

Fator de agrupamento (Tabela 42): Quando vários circuitos compartilham o mesmo eletroduto, calha ou feixe, a dissipação de calor é prejudicada. A norma aplica um fator redutor que depende do número exato de circuitos (ou de cabos multipolares) e da forma de agrupamento:

Nº de circuitos Em feixe ou em eletroduto (ref. 1) Camada única sobre parede ou piso (ref. 2)
1 1,00 1,00
2 0,80 0,85
3 0,70 0,79
4 0,65 0,75
5 0,60 0,73
6 0,57 0,72
7 0,54 0,72
8 0,52 0,71
9 a 11 0,50 0,70
12 a 15 0,45 0,70
16 a 19 0,41 0,70
20 ou mais 0,38 0,70

A referência 1 vale para cabos em feixe ao ar livre ou sobre superfície, embutidos ou em conduto fechado (eletroduto). As referências 2 a 5 valem só para cabos lado a lado, numa única camada (sobre parede ou piso, no teto, em bandeja perfurada ou em leito). A ferramenta usa sempre a referência 1, inclusive nas opções "ao ar" e "leito", porque não pergunta se os cabos estão em camada única; isso pode levar a uma seção um pouco maior, mas nunca menor. Cabos espaçados de mais de dois diâmetros não precisam de fator de agrupamento.

Linhas enterradas (método D, Tabelas 44 e 45): para cabos enterrados a norma tem tabelas próprias, que vão de 2 a 6 circuitos: a Tabela 44 para cabos diretamente enterrados e a Tabela 45 para eletrodutos enterrados, com o fator crescendo com a distância entre cabos ou eletrodutos. Como a ferramenta não pergunta a distância nem se há eletroduto, ela usa o menor valor das duas, o de cabos diretamente enterrados e encostados (2 circuitos: 0,75; 3: 0,65; 4: 0,60; 5: 0,55; 6: 0,50), e avisa no resultado. Acima de 6 circuitos enterrados a norma não dá valor, e a ferramenta não calcula.

A capacidade corrigida final é: Iz = I_tabela × f_temperatura × f_agrupamento.

Isolação: PVC vs. XLPE

Característica PVC (70°C) XLPE (90°C)
Temperatura máxima de operação 70°C 90°C
Capacidade de condução Menor Maior (~20–30% a mais)
Custo Mais barato Mais caro
Aplicação típica Residencial, comercial Industrial, alimentadores

Para um mesmo método de instalação, um cabo XLPE suporta mais corrente que um cabo PVC — o que pode permitir uma seção menor em projetos otimizados.

Queda de tensão

ΔU% = (200 × ρ × L × Ib) / (S × V) no monofásico e ΔU% = (100 × √3 × ρ × L × Ib) / (S × V) no trifásico, com ρ na temperatura máxima do condutor: 0,0239 Ω·mm²/m para cobre com PVC (70 °C) e 0,0255 Ω·mm²/m com XLPE (90 °C). Esses valores seguem as tabelas de queda dos fabricantes (cabo flexível classe 5) e ficam do lado seguro; a constante γ = 56, comum em apostilas, é a do cobre frio e subestima a queda em plena carga.

Coordenação cabo × disjuntor

A NBR 5410, no item 5.3.4.1, exige que o dispositivo de proteção contra sobrecarga satisfaça:

Ib ≤ In ≤ Iz e I2 ≤ 1,45 × Iz

Onde:

  • Ib = corrente de projeto
  • In = corrente nominal do disjuntor (valor comercial)
  • Iz = capacidade de condução corrigida do cabo
  • I2 = corrente que assegura a atuação do disjuntor; nos disjuntores da NBR NM 60898, I2 = 1,45 × In, então In ≤ Iz já garante a segunda condição

A ferramenta sugere o menor disjuntor comercial que atende a estas condições, dentre os valores padronizados: 6, 10, 13, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 80, 100 e 125 A. Se nenhum valor comercial couber entre Ib e Iz, a ferramenta sobe para a seção seguinte e informa que o critério determinante foi a coordenação com a proteção.

Exemplo prático

Circuito trifásico, 380V, potência de 10 kW, FP = 0,85, método B1, PVC, 30°C, 3 circuitos agrupados em eletroduto, comprimento 25m, limite terminal (4%).

  1. Ib = (10 × 1000) / (√3 × 380 × 0,85) ≈ 17,9 A
  2. Fatores: f_temp = 1,00 (30°C) × f_agrup = 0,70 (3 circuitos em eletroduto, Tabela 42, ref. 1) = 0,70
  3. Seção 2,5 mm²: Iz = 21 × 0,70 = 14,7 A → menor que Ib ✗
  4. Seção 4 mm²: Iz = 28 × 0,70 = 19,6 A → atende corrente ✓
  5. Disjuntor: o In precisa ficar entre Ib = 17,9 A e Iz = 19,6 A. O de 16 A é menor que Ib e o de 20 A é maior que Iz: nenhum valor comercial cabe em 4 mm².
  6. Seção 6 mm²: Iz = 36 × 0,70 = 25,2 A → disjuntor de 20 A (17,9 ≤ 20 ≤ 25,2; I2 = 1,45 × 20 = 29 A ≤ 1,45 × 25,2 = 36,5 A) ✓
  7. Queda (6 mm²): ΔU% = (100 × √3 × 0,0239 × 25 × 17,9) / (6 × 380) ≈ 0,81% → atende ✓
  8. Seção mínima: circuito de força, 2,5 mm² → atende ✓

Resultado: cabo de 6 mm² com disjuntor de 20 A. O critério determinante foi a coordenação com a proteção.

Repare no peso do agrupamento: com um circuito só no eletroduto (f_agrup = 1,00), o cabo de 4 mm² teria Iz = 28 A e aceitaria o disjuntor de 20 A ou de 25 A.

Limitações desta ferramenta

  • Válida para condutores de cobre com seção até 50 mm².
  • Não considera reatância (adequado para seções ≤ 50 mm² e FP > 0,8).
  • O fator de agrupamento é o de cabos em feixe (Tabela 42, ref. 1) e, no método D, o de cabos diretamente enterrados e encostados (Tabela 44), o menor das Tabelas 44 e 45. Camada única (refs. 2 a 5), mais de uma camada (Tabela 43) e o ganho de espaçar cabos ou eletrodutos enterrados não são calculados.
  • A queda de tensão é calculada só no trecho informado; para os limites de 5% e 7%, o trecho precisa ser o caminho inteiro desde a origem (ou some as quedas dos trechos).
  • Não verifica proteção contra curto-circuito nem contra choques elétricos (seccionamento automático), que também podem exigir seção maior.
  • Para seções maiores, projetos industriais ou circuitos com harmônicas, consulte um engenheiro eletricista.

Referências normativas

  • NBR 5410:2004 – item 6.2.5 e Tabelas 36 a 39 – Capacidades de condução de corrente.
  • NBR 5410:2004 – item 6.2.6.1.1 e Tabela 47 – Seção mínima dos condutores.
  • NBR 5410:2004 – item 6.2.7 – Quedas de tensão (6.2.7.1: total desde a origem; 6.2.7.2: 4% nos circuitos terminais).
  • NBR 5410:2004 – Tabela 33 – Tipos de linhas elétricas e métodos de referência.
  • NBR 5410:2004 – Tabela 40 – Fatores de correção de temperatura.
  • NBR 5410:2004 – Tabela 42 – Fatores de agrupamento.
  • NBR 5410:2004 – Tabelas 44 e 45 – Fatores de agrupamento de linhas enterradas.
  • NBR 5410:2004 – item 5.3.4.1 – Coordenação entre condutores e dispositivos de proteção contra sobrecarga.